“Pornografia feminista”

Falar em pornografia feminista é algo absurdo.
A pornografia é parte do patriarcado capitalista que coage,objetifica, fetichiza, estupra, violenta e mercantiliza mulheres.
Não tem nada de feminista nisso. Feminismo é a ideia de que mulheres são pessoas. O feminismo visa destruir o patriarcado capitalista que oprime e explora mulheres.
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dados pornografia

Referências (da imagem):
http://iamatreasure.com/…/01/treasures_v5-UpdatedAug2013.pdf
Bracey, D. H. (1982). The juvenile prostitute: Victim and offender Victimology, 8(3-4), 151-160.
Silbert, M.H., & Pines, A.M. (1981). Sexual child abuse as an antecedent to prostitution. Child Abuse and Neglect 5:407-411.
Melissa Farley, from “Prostitution and Trafficking in Nine Countries: An Update on Violence and Posttraumatic Stress Disorder”www.prostitutionresearch.com
U.S. Department of Justice, Assessment of U.S. Government Activities to Combat Trafficking in Persons: 2004

Câmara de Vereadores tenta silenciar feministas.

O Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana é um coletivo autônomo e organizado por mulheres de Blumenau e região que objetiva tratar da situação das mulheres em todos os âmbitos (pessoal, familiar, social, profissional, etc) com enfoque feminista.

Dentro do coletivo fazemos trabalho de base (grupo de estudos, debates, formações) e também nos organizamos periodicamente para levar o feminismo para as ruas da cidade.

Ano passado no Dia Internacional da Mulher fizemos uma panfletagem no centro de Blumenau. O material continha dados sobre a desigualdade de gênero. Nossa intenção foi promover a reflexão sobre esse tema, pois entendemos que dia 08 de março é dia de luta. Não temos o que comemorar enquanto 500 mil mulheres são estupradas e 5 mil assassinadas por ano no Brasil, e na maioria dos casos são vítimas de seus parceiros ou ex-parceiros.

A violência contra a mulher é um problema gravíssimo – tanto que foi aprovado na câmara e no senado o projeto de lei que inclui o feminicídio (morte de mulheres por questões de gênero). A partir da sanção presidencial, o feminicídio será considerado homicídio qualificado e classificado como crime hediondo, com pena de 12 a 30 anos.

Com base nesses dados e demais estudos, em fevereiro fizemos uma panfletagem nas portas de algumas fábricas do Guia de Sobrevivência para Mulheres, material da Coletiva Raiz de Curitiba. O guia lista sinais para ajudar a mulher a perceber se está sofrendo violência doméstica e também dá dicas de como sair de forma segura desses relacionamentos abusivos. A última página contém contatos de locais para denunciar e também para buscar ajuda.

Para o 08 de março desse ano, ocupamos uma praça no centro de Blumenau e fizemos panfletagem do guia, tivemos a presença das parceiras do rap, Palavra Feminina, teatro com dados e casos de violência contra a mulher, orientação jurídica e varais com cartazes contendo poemas e frases para reflexão. Tudo gratuito e aberto a todas as mulheres que quisessem participar.

Por tudo isso é que pensamos em utilizar a tribuna livre da câmara dos vereadores para falar sobre a realidade atual das mulheres e divulgar o evento de sábado, já que a tribuna livre é na sessão de quinta-feira. A requisição da tribuna foi protocolada em 18/02. A companheira Georgia foi escolhida entre nós para discursar, nos representando na câmara. Fizemos o discurso a seis mãos. No início de março, a mesa diretora da câmara nos contatou para que apresentássemos documentos comprovando que o coletivo é uma instituição organizada. Não dispomos de cnpj ou de qualquer documento de registro em instituições públicas. Somos um grupo de mulheres militando contra a misoginia da sociedade. O que poderíamos oferecer eram as atas das reuniões e fotos dos encontros. No dia 05/03 às 11:30h, duas horas e meia antes da sessão da câmara, a mesa diretora avisou o vereador Jeferson Forest (foi ele que protocolou nossa solicitação) que o pedido para uso da tribuna livre foi recusado, argumentando que o espaço é apenas para instituições organizadas, o que contraria o artigo 90 do regimento interno da câmara, onde está escrito que qualquer cidadão pode fazer uso da tribuna livre. Não tiveram nem a decência de avisar diretamente o coletivo.

Nós do Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana repudiamos essa ação da câmara, visto que em diversos momentos outros cidadãos não vinculados a instituições organizadas fizeram uso da tribuna livre. Dessa, forma, pedimos à companheira Georgia que fizesse seu discurso no evento de sábado, na praça do Teatro Carlos Gomes. O discurso nos emocionou e nos fortaleceu para continuarmos na luta.

O posicionamento da mesa diretora da câmara nos encoraja ainda mais a ocupar os espaços públicos e políticos. O poder legislativo municipal não tem nenhuma vereadora e em toda a sua história, tivemos apenas quatro mulheres nos representando. Nunca tivemos uma prefeita, mesmo nós mulheres sendo 52% da população. Então já sabemos que não temos espaço algum se não o TOMAMOS. Tudo o que já conquistamos foi e é no facão, abrindo picada a força, desde sempre. Com luta, com protesto, com passeata, com revolta. As feministas histéricas agressivas. De que outra forma conseguiremos a atenção de vocês? Os milhares de anos de docilidade e submissão não funcionaram para sermos menos silenciadas, menos agredidas, menos estupradas, menos mortas por vocês homens. Sabe o que tem funcionado? O GRITO.

Nós não vamos esperar vocês darem espaço para nós – porque vocês não vão dar. Nós, mulheres, vamos tomar esse espaço a força, sempre que for necessário. Nós vamos estar em todos os lugares, defendendo nossas irmãs. Isso VAI ACONTECER.

Aqui o vídeo do discurso: http://goo.gl/DLtFrh

***

“Eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade.Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.”

Dia Internacional da Mulher

Hoje,

Dirão que te celebram:
As marcas multiplicarão os lucros
Todo tipo de estereótipo será reforçado
E negarão visibilidade a tua luta

Vão te reduzir a um salto
E a um batom retocado a cada hora
Vão te parabenizar por embelezar o ambiente
Afinal, não passas de um enfeite

Mas resistes

Em mais um dia de luta
Por tua própria sobrevivência

Mais um dia de luta
Por cada mulher ferida
Assediada
Humilhada
Apedrejada
Estuprada
Mutilada
Assassinada

Mais um dia de luta
Por cada clandestina que sangra

Hoje,

Hoje tentarão te silenciar com flores.

Dia 8 de março: Dia Internacional da Mulher.

Por Bruna Oliveira.

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FAQ do Aborto Legal

Os direitos reprodutivos das mulheres ainda não avançaram, mas é preciso reconhecer que o debate sobre aborto legal sim.

É só olhar para como tivemos dois candidatos com coragem de defender a legalização do aborto no Brasil, ainda que não fossem os mais bem colocados nas pesquisas. Virou assunto.

Casos como o de Jandira e Elisângela, que morreram ao fazer um aborto em clínicas clandestinas, sempre existiram e ainda acontecem aos montes, mas ganharem visibilidade na mídia é reflexo de uma lenta porém significativa percepção sobre a urgência de legalizar o aborto.

Ainda há muita desinformação e terrorismo rondando o tema. Mas à medida que o assunto ganha espaço, os argumentos vazios e mentiras a respeito do aborto vão caindo. E é para ajudar nesse processo que resolvi reunir algumas informações sobre legalização do aborto, no melhor estilo FAQ (sigla de “Frequently Asked Questions”, em bom português “Perguntas Mais Frequentes”) :

“Como você pode ser a favor do aborto?”
Não interessa se eu, pessoalmente, sou contra ou a favor do aborto. Se eu, pessoalmente, abortaria. Não é uma questão de preferência, opinião, de achar feio ou bonito como quem olha para um vestido. É um debate a respeito de leis. A minha opinião pessoal e minhas crenças não deveriam nortear as leis. Porque eu sou contra babacas, mas nem por isso o governo está criando leis para impedir as pessoas de serem.

Não é por achar o aborto divertido e “uau, adoro abortar, vou fazer um abortinho” que se defende a legalização do aborto. Isso não existe. Ser a favor da legalização do aborto é defender a vida das mulheres que fazem e morrem na ilegalidade – especialmente as mais pobres. Que tipo de gente pode ser contra a vida de mulheres? Pois é.

“Em que casos o aborto é legal?”
No Brasil, o aborto é legal quando a gravidez é decorrente de estupro, quando há risco de morte para a mãe ou se o feto é anencéfalo (não possui cérebro).

Muitas mulheres não sabem, mas elas já têm esse direito. No caso de ter sido estuprada, se a vítima quiser abortar não é preciso apresentar boletim de ocorrência. Se o feto for anencéfalo, não é preciso apresentar autorização judicial. Nestas condições, a mulher pode exigir os seus direitos e ser atendida pelo SUS.

Mais informações sobre como fazer um aborto legal no Brasil aqui.

“É simples assim conseguir um aborto nos casos previstos pela lei?”
Não mesmo. A lei determinar que a mulher tem direito ao aborto nesses casos não significa que seja fácil: mesmo amparada pela lei ela encontra dificuldades de ser atendida, sendo não poucas vezes maltratada pelos profissionais de saúde que têm a obrigação, pela legislação, de acolhê-la.

O maltrato nos hospitais também é experimentado por mulheres que sofrem aborto espontâneo. Mesmo nesses casos as mulheres são tratadas como criminosas, vistas com desconfiança e suas vidas são colocadas em risco. Por isso a legalização do aborto deve ser mais ampla, além de garantir medidas para que as mulheres sejam atendidas com dignidade, em todos os casos.

“Mas se legalizar, vai banalizar o aborto!”
Não sei se você sabe, mas aborto já é crime (exceto nos casos citados acima) e isso não está adiantando para reduzir o número de abortos. As mulheres abortam e isso é um fato.

Quer números? Toma: no Brasil, são cerca de 1 milhão de abortos por ano. Uma em cada cinco mulheres já fez ao menos um aborto e a cada dois dias morre uma mulher vítima de aborto ilegal. A lei que criminaliza o aborto não é eficaz para evitar abortos, mas muito eficaz para matar mulheres.

No Uruguai, além de nenhuma mulher ter morrido após o aborto ter sido legalizado, 10 em cada mil mulheres realizam um aborto, o que é uma das taxas mais baixas do mundo. A legalização do aborto é eficiente para salvar mulheres e para diminuir o número de abortos.

“Tem tanta mulher assim abortando?”
Capaz de ter até mais, já que o aborto é feito na surdina, na clandestinidade, em segredo. Se uma em cada cinco mulheres já fez pelo menos um aborto, a probabilidade de você conhecer uma mulher que já abortou, inclusive na sua família, não é tão pequena assim.

Pesquisa feita pela Universidade de Brasília constatou que a maioria das mulheres que abortam no Brasil tem de 25 a 39 anos, é casada, tem filhos e é cristã.

Jovens abortam, solteiras abortam, casadas abortam, mães abortam, evangélicas abortam, desempregadas abortam, trabalhadoras abortam, ricas abortam, pobres abortam. Se for prender todas as mulheres que abortam (e sobrevivem), vai faltar cadeia.

Mulheres que abortam não são criminosas, assassinas, monstras. São suas amigas, colegas, mães, filhas, primas, tias, namoradas, esposas, professoras, chefes, vizinhas. São cidadãs, são pessoas como você.

“Por que elas abortam?”
Pelos mais variados motivos. Porque são muito pobres e não têm condições de arcar com uma gravidez, porque precisam trabalhar e o mercado de trabalho rejeita mulheres grávidas, porque sofrem violência doméstica e não querem expor mais um filho à violência ou porque a gravidez a prenderia em um relacionamento abusivo (e estudos mostram que mulheres que procuram por aborto tem sete vezes mais chances de ter experimentado violência doméstica) e, entre outros motivos, simplesmente porque não querem levar a gravidez adiante.

Imagine que são motivos sérios e extremos o suficiente para uma mulher estar disposta a burlar a lei e colocar a própria vida em risco.

“Com pílula e camisinha, só engravida quem quer.”
Métodos contraceptivos falham e isso também é fato. Ainda que usados corretamente, quanto mais tempo se passa usando esses métodos, maior é a probabilidade de resultar em uma gravidez indesejada. Se duvida, dá uma olhada nesse estudo. Mesmo que em alguns casos a probabilidade seja pequena, ela existe.

Há mulheres que também não têm acesso a anticoncepcionais, ou não são ensinadas a usar corretamente, ou se esquecem de tomar a pílula, ou ainda não sabem que antibióticos podem cortar o efeito da pílula. É possível também que se a mulher tiver alguma diarreia ou vômito, a pílula não seja devidamente absorvida pelo organismo e falhe. Há muitos fatores que expõem a mulher à gravidez, ainda que ela esteja fazendo tudo direitinho.

“Então aborto vai ser usado como método contraceptivo?”
O aborto não é defendido como método contraceptivo, até porque “contraceptivo” é o que se faz antes de engravidar. Mas ele deve ser garantido porque métodos contraceptivos falham e porque a mulher não vai carregar uma gravidez se ela não quiser, não importa qual seja o motivo.

“Engravidou, agora aguenta.”
Comovente como os chamados “pró-vida”, incansáveis defensores dos fetos, veem criança como um castigo. E castigo pra quê? Transar não é crime. Não está previsto no Código Penal.

E se gravidez pode ser considerada punição, nosso sistema penitenciário está todo errado; que obriguem então os presos a engravidarem e a terem filhos contra a vontade.

Parece absurdo, mas é justamente o que acontece quando mantemos o aborto criminalizado: impomos a mulheres que não cometeram nenhum crime a ficarem presas a uma gravidez e a terem filhos contra a sua vontade (e, caso tentem abortar, são muitas vezes condenadas à morte).

A responsabilidade de ter filhos é tão séria que não deve, em nenhuma circunstância, ser imposta. Maternidade deve ser escolha, não obrigação.

“Mas e os homens? Não têm direito de decidir manter a gravidez?”
Olha: não. Se a gravidez acontecesse no corpo deles, aí sim. Mas é no corpo da mulher, é a vida da mulher, homem nenhum tem o direito de decidir por ela, impor a ela uma gravidez que ela não quer.

Aliás, porque não se pergunta “e os homens” quando o assunto é contracepção? Porque a responsabilidade de evitar a gravidez é só da mulher e ela que arque sozinha com as consequências se algo der errado?

O homem não precisa ser responsabilizado pelo “descuido” com relações sexuais e métodos contraceptivos, ainda pode abortar sem o risco de morrer (quando some e deixa a mulher grávida desamparada) e acha tranquilo exigir o poder de decidir sobre o corpo da mulher? Ir cagar ele não quer?

“Não quer ter o filho, dá pra adoção.”
É de se espantar que tenha gente achando que não há crianças abandonadas o suficiente no mundo. Manda mais! Como se orfanatos fossem lugares encantados e mágicos como nos filmes ou na novela Chiquititas. Como se uma criança não passasse anos esperando por uma família para ser adotada.

Além disso, vale lembrar que abandonar crianças é crime. Não é mais nobre quem sugere a uma mulher se livrar de uma criança depois que ela nascer. É cruel, por considerar que a mulher é apenas uma incubadora que serve para expelir bebês. É cruel, por considerar que uma criança deve nascer independente das circunstâncias e de condições adequadas para criá-la.

Todo esse sofrimento pode ser evitado se for garantido à mulher o direito de abortar de forma segura no início da gravidez, quando ainda não existe uma criança. Sim, porque feto não é bebê.

“Mas a vida começa na concepção!”
Apesar de isso não ter nenhum embasamento científico, vamos supor que a vida começa na concepção: ainda assim não é motivo para manter o aborto criminalizado.

Vimos que as mulheres abortam (mesmo aquelas cujas crenças são contra o aborto). Com o aborto ilegal, elas recorrem, desesperadas, a métodos arriscados. O aborto ilegal mata uma mulher, uma mãe, uma esposa… e ainda não salva o feto!

“Então qual é a solução para preservar a vida?”
Não há coisa mais a favor da vida do que lutar pela legalização do aborto.

Pensa bem: se é impossível obrigar uma mulher a continuar com uma gravidez, a verdadeira opção a favor da vida é, pelo menos, evitar que essa mulher morra. Tente ver por essa perspectiva: a legalização do aborto é a opção que salva mais vidas.

É de uma incoerência gigantesca acreditar que a vida começa na concepção e não se importar com a vida depois que ela nasce. É como se o feto perdesse todos seus sagrados direitos quando se tornasse uma mulher adulta. Não faz sentido.

“E os bebês sendo mutilados, sendo arrancados da barriga? É uma carnificina!”
O aborto legal e seguro está a um abismo de distância desse filme de terror que querem fazer com que se pareça. Não tem bebê sendo mutilado, não tem bebê agarrando a mão do médico pedindo para não ser abortado.

Uma americana resolveu divulgar fotos de seu aborto, feito de forma legal e segura na 6ª semana de gestação: apenas um recipiente com sangue, nem sinal de feto, muito menos um bebê. Outra americana filmou o seu aborto, e no vídeo é possível vê-la bastante tranquila. Ela conta: “Um aborto realizado no primeiro trimestre de uma gravidez leva de três a cinco minutos. É mais seguro que um parto”.

Não há nada de assustador em um aborto feito de forma legal. O assustador é que um procedimento que pode ser rápido e seguro possa levar tantas mulheres à morte simplesmente por ser mantido na ilegalidade.

“Legalizar o aborto significa o quê?”
Significa, em primeiro lugar, o Estado reconhecer que somos pessoas, e não porta-fetos. Significa que caberá somente à mulher decidir se deseja levar adiante uma gravidez e que, caso opte pelo aborto, possa ser atendida com segurança e dignidade nos hospitais, inclusive do SUS, sem receber qualquer tipo de punição.

“E como ficaria a legislação?”

Em 56 países (não por acaso os mais desenvolvidos), o aborto é permitido sem nenhuma restrição. No Uruguai, a mulher que não deseja levar a gravidez adiante pode abortar até a 12ª semana, enquanto no caso de ter sido vítima de estupro tem o direito de abortar até a 14ª semana.

Na Suécia, esse direito se estende até a 18º semana, enquanto na Noruega é permitido em todos os casos até a 12ª semana e precisa de autorização judicial depois disso; mas, em geral, os países onde o aborto é legalizado permitem que a gravidez seja interrompida no primeiro trimestre.

O que importa é que a lei desses países garantiu a autonomia das mulheres e reduziu drasticamente (até zerou) a morte de mulheres por aborto. O Brasil poderia seguir por esse caminho.

“E quem é contra o aborto, como fica?”
É contra o aborto? Não faça um. Legalizar o aborto não o tornará obrigatório. Quem acha que é pecado, vai poder continuar achando. A diferença é que quem precisar de um aborto vai poder fazer de forma segura.

“Onde posso saber mais sobre o aborto legal?”

Tem muitas outras informações reunidas no site 28 dias pela vida das mulheres e vários links para outros textos sobre o assunto no tumblr #AbortoLegal. Se procura a posição de um especialista, pode saber o que pensa o Dr. Drauzio Varella aqui e aqui. Você também pode ouvir histórias de mulheres clandestinas neste documentário. Os outros links que coloquei neste texto são um bom início para se informar sobre o assunto.

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A sua opinião sobre isso vai continuar não importando, porque as mulheres vão abortar independente de você ser contra ou a favor. Aborto não é questão de opinião, como já escreveu a Clara aqui.

Mas que essa opinião, pelo menos, não esteja baseada em desinformação e preconceito. Porque um assunto tão sério não pode ser debatido no nível quinta série “é fácil ser a favor do aborto depois que já nasceu”.

Ter um pouco de empatia e bom senso, além de não custar nada, mostra que fomos além de um embrião mal desenvolvido e que evoluímos como pessoa. E só com empatia e bom senso seremos capazes de construir uma sociedade mais humana – e que também reconheça mulheres como tal.

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Texto da Aline Valek publicado originalmente na revista Carta Capital:

http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/faq-do-aborto-legal-7594.html?utm_content=buffered362&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

Dia latino-americano e caribenho de luta pela legalização e descriminalização do aborto.

Quando se fala em aborto, logo começa o debate de quem é a favor ou contra. Como se o útero das mulheres fosse um bolão ou uma questão de prova escolar onde você assinala qual a alternativa correta. Na prática a coisa se desenrola da seguinte forma: o ‘direito’ ao aborto (aqui no Brasil só é autorizado legalmente em casos de anencefalia do feto, risco de vida da mulher ou em caso de estupro, conforme o art. 128 do Código Penal – Decreto Lei 2848/40) depende de quanto você tem na sua conta bancária. Uma mulher que tem dinheiro, vai numa boa clínica, paga 4 ou 5 mil e pronto, questão resolvida. Mulheres pobres, obviamente não tem esse dinheiro e acabam morrendo ao fazer o procedimento em clínicas precárias. A cada dois dias uma mulher brasileira morre por aborto inseguro.

Muitas pessoas imaginam que todas as mulheres que abortam são “promíscuas, prostitutas e sem deus no coração” (que fique claro que sou a favor de que cada um faça da sua vida o que quiser!), uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que a mulher que aborta no Brasil (perfil médio) tem entre 20 e 29 anos, é casada, tem pelo menos um filho, é católica, tem até oito anos de estudo e usa algum método contraceptivo. Sim, contraceptivos falham!

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Quem são as mulheres brasileiras que abortam?

 Aborto não é uma questão de opinião e sim de saúde pública. Nos países onde o aborto foi legalizado, acabou a mortalidade de mulheres que abortam e a quantidade de abortos diminuiu também. (vide exemplo do Uruguai.)
 

Foto de um aborto de 6 semanas. Não é como a mídia e os fundamentalistas mostram, né?!

  Pra finalizar deixo vocês com George Carlin, humorista norte-americano, falando sobre o aborto.

Feminismo e vegetarianismo.

“As mulheres são as únicas pessoas oprimidas que, como um todo, vivem em intimidade com seus opressores. Todos os seres vivos vivem em intimidade com o alimento, e se tomarmos como indicadores a prosperidade da indústria de produtos dietéticos e a epidemia da obesidade, a dependência psicológica dos seres humanos em relação à comida nunca foi tão grande. Uma vez que a libertação dos animais depende de nos desabituarmos da carne, do leite e dos ovos, e uma vez que a comida continua sendo um importante – se não o mais importante – apoio emocional, o movimento pelos direitos dos animais enfrenta uma oposição enorme e violenta.

O feminismo também tem sido marginalizado, demonizado, ridicularizado e ignorado, pois sacode a sociedade até o seu centro. A nostalgia é alimento reconfortante para a alma, e abandoná-la e reescrever a história com precisão (abrangendo todas as pessoas e todos os animais) nega ao público os arquétipos a que ele se acostumou – o pai forte, a mãe acolhedora, o cavaleiro heroico, a donzela vulnerável. Assim como o consumo da carne, o papel subserviente das mulheres é glorificado e seus benefícios são muito mais exaltados do que suas desvantagens. Ler uma revista de apresentação luxuosa seria como comer bombom; passar horas se vestindo seria a suprema diversão – a atenção que na adolescência borbulhante parece constranger transforma-se em algo que nenhuma garota pode dispensar. As mulheres tornam-se cúmplices em sua opressão – só adquirem poder, durante um tempo limitado, com sua beleza externa e seus artifícios sexuais. O ilusionismo é mais aparente quando se aplica à sujeição dos não brancos e dos animais. Durante séculos – desde mamães felizes até galinhas sorridentes na grelha – as vítimas da violência tem sido retratadas como encantadas por cumprir os deveres das suas funções percebidas.”

A política sexual da carne: relação entre o carnivorismo e a dominância masculina.